Sobre

O VII Seminário de Literatura Infantil e Juvenil (VII SLIJ): Linguagens poéticas pelas frestas do contemporâneo e o II Seminário Internacional de literatura infantil e juvenil e práticas de mediação literária (II SELIPRAM)  reconhece a necessidade e se propõe a abrir espaços de reflexão às linguagens poéticas contemporâneas. Neste sentido, não só as literaturas estarão em foco, mas todas as demais linguagens que, em seus diferentes campos de conhecimento, se debruçam sobre a arte poética.

 

Entende-se por linguagens poéticas a palavra em suas formas escrita e oral, a música, as imagens estáticas e em movimento, a dança, as artes plásticas, a dramaturgia e sua encenação, bem como todas as linguagens que se expõem, proporcionando o que se chama de experiência estética.

 

É sabido que a imaginação e a capacidade de improvisação se confundem na criatividade infantil e juvenil, como formas de ver/experimentar o mundo. São maneiras de encenar a vida, muitas vezes, sinalizando às crianças, aos jovens e adultos o valor da fantasia na reinvenção do cotidiano. É, assim, que a arte se aproxima da infância e revela a necessidade de que se acredite nela e de que se extrapole com ela os limites da vida regrada. Não se trata, portanto, de chamamento à sensibilidade? Não somos provocados, como partícipes da infância e juventude, a desconstruir nossas percepções do mundo, com suas exterioridades, e irmos em busca dos espaços do nunca?

 

A proposição do tema do evento – buscar as frestas de onde brotam as linguagens poéticas – não deve se confundir com a utopia do lugar fora; ao contrário, o desafio é o de, junto com pesquisadores, professores, estudantes e críticos de arte, apontarmos as possibilidades de poesia dentro dos nossos cotidianos. Trata-se de realçar a convivência da poesia com as duras experiências da vida material com diferentes vivências dos seres humanos em seu cotidiano.

 

O mundo da superexposição, das indiferenças, dos comportamentos pautados e regrados pelo consumo, da transformação da própria vida em mercadoria tende, vertiginosamente, a colocar a poesia em declínio. É no arrepio ao avanço da vida conformada que se pretende pautar as reflexões do e no evento. Inspirados em Didi-Huberman (2011, p. 42), buscamos ver e apontar as aparições dos vaga-lumes – a metáfora das pequenas luzes que brilham como aparições potentes em zonas de apagamento das experiências sensíveis. Em suas palavras, é “(…) ver o espaço – seja ele intersticial, intermitente, nômade, situado no improvável – das aberturas, dos possíveis, dos lampejos, dos apesar de tudo.”. É, então, nas frestas de nosso tempo contemporâneo que vamos qualificar as linguagens que, enfatizando o imprescindível das poéticas, fazem da infância parceira da poesia, ou seja, reafirmando que imaginação não é o inverso da maturidade e, ao contrário disso, imaginação e fantasia são ingredientes fundamentais para a consciência do adulto maduro, sujeito por inteiro.

 

Cresce, a olhos vistos, a produção de ficção endereçada às crianças e jovens, requerendo seu equivalente crítico por parte de estudiosos nas diversas áreas de conhecimento e práticas escolares e acadêmicas. Por essas razões, o VII Seminário de Literatura Infantil e Juvenil (VII SLIJ) e o II Seminário Internacional de literatura infantil e juvenil e práticas de mediação literária (II SELIPRAM) visam reafirmar o debate, a exemplo de anos anteriores, sobre as linguagens verbais e não verbais e suas correlações, bem como sobre as manifestações culturais e estéticas, que estejam voltadas à infância e juventude, na contemporaneidade.
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